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Hitman: Contracts

O negociador da morte com problemas foliculares regressa para executar mais gente, a troco de um frio soldo.

Livre finalmente!

Além de te libertar dos confins de tudo o que se aproxime de um comportamento ético, Hitman: Contracts aumenta o nível de liberdade até que sintas que estás a correr pelo jogo qual Julie Andrews (apesar de careca) na colina de uma montanha austríaca. As duas edições anteriores do assassino (Codename 47 e Silent Assassin) permitiram que executasses as tuas missões numa grande variedade de formas, mas inclinei-me sempre para a "forma certa" de proceder à matança. Com Contracts, os acontecimentos são um pouco mais livres.

Para começar, a acção já não é linear e, tal como o Pulp Fiction, salta na linha cronológica para revelar lentamente a história. Hitman: Contracts começa com o 47 a sangrar até à morte devido a uma ferida no estômago (muito ao estilo de Reservoir Dogs) e a imaginar pessoas estranhas a entrarem no quarto enquanto está estendido no chão. O pessoal alucinado conduz-te em grande estilo até à tua missão - à medida que o quarto se difunde, começas a lembrar-te do local onde viste essa pessoa e a cena volta ao passado, ao momento do contrato. De repente, estás na Sibéria, Roterdão, Roménia ou em qualquer uma das outras memórias, que gradualmente se vão amontoando para revelarem a história por trás do estado sangrento em que te encontras. Há muito pouco pré-planeamento envolvido, uma vez que começas "in-situ" e tens de invocar as informações da tua missão, enquanto permaneces à chuva ou na neve com as armas que conseguires encontrar ou resgatar.

E como gostaria da sua morte, senhor?

As tuas armas básicas são as pistolas Silverballer de imagem de marca (e uma variante com silenciador), um garrote Fiber Wire, uma seringa e vários auxiliares de visão. O restante equipamento está, normalmente, escondido no campo (marcado no teu mapa), mas tu não sabes o que é ou para o que serve até conseguires recuperá-lo, o que, por vezes, conduz a grandes viagens sub-reptícias desperdiçadas caso encontres um disfarce que já estejas a utilizar. Mas rapidamente te apercebes de que estes disfarces não são essenciais, só te dão mais opções (como se já não tivesses opções que chegassem).

Explorei repetidamente uma missão para descobrir com quantas formas diferentes poderia despachar os meus alvos e esgotei-me antes de esgotar as possibilidades. Tudo o que tinha a fazer era matar dois aristocratas nacionais, mas há mais do que uma forma de abordar essa missão. Primeiro, infiltrei-me nas instalações disfarçado e disparei contra eles enquanto dormiam. Da segunda vez, entrei pela adega, envenenei o brandy mesmo antes de virem buscá-lo e, depois, tentei colocar uma bomba na chaminé e desligar o aquecimento central. Por fim, há a abordagem de disparar e correr, e um infeliz efeito secundário dos gráficos fabulosos e da brilhante física de boneca de trapos nas personagens é que é mesmo muito bom entrar nos tiroteios e lançar o cuidado ao vento. O que é fabuloso é que vais gostar de Contracts seja qual for a forma como jogues, mas optar por uma abordagem fria e sub-reptícia dá uma fabulosa sensação de satisfação, fria como o gelo.

Nada de mulheres, nada de crianças. É a regra

Embora exista muito, muito sangue, o principal terror (membros pendurados, decapitações, etc.) está principalmente ausente, mas a natureza gráfica da violência compensa essa ausência. A forma como o 47 aplica um garrote a alguém, enrolando-o à volta do pescoço, depois rodando e puxando por trás, como se estivesse a levantar um saco de batatas, é perturbadora o suficiente, mas há pior. Um dos teus primeiros tiros é num centro de abate (já de si assustador) onde está a decorrer uma festa de fetichistas (de natureza perversa e altamente sexual) e encontras um cadáver mutilado pendurado num gancho e um talhante meio nu por perto... já estás a perceber a ideia, e a ideia é tão terrível que vais querer lavar-te logo depois de veres esta personagem. Este jogo é de facto de uma natureza "adulta", mas também o que era de esperar de um jogo com o nome "Hitman"?

Hitman: Contracts é uma viagem absorvente e, por vezes, perturbadora ao terrível e perigoso mundo do Agente 47. Se tiveres estômago para a violência, sexo e devassa em geral (muito menos brejeiro que o Vice City), vais descobrir gráficos fantásticos, uma IA brilhante e um jogo que salta à vista e diz "Vem experimentar se pensas que és homem para isso".


fonte: http://pt.playstation.com/printerFriendly.jhtml?storyId=105434_pt_PT_PREV
Galeria (divulgação):
Hitman: Contracts
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